Sinto-me aquela criança de 13 anos que sonhava vir a ser feliz e escrevia para exorcizar as suas mágoas. Hoje sei que, dificilmente, voltarei a sorrir com vontade. Hoje sei que os meus sorrisos serão sempre pregados e não sentidos. Hoje, ja não uso papel e caneta. Já ninguém me vê, sozinha no meu canto, a escrever. A procurar a melhor rima, a melhor frase, a palavra mais cara que conheça. Hoje, pego no meu telemóvel e escrevo com a cara encoberta pela burka que o mundo virtual me concede. Porque estar agarrada ao telefone é normal e ninguém pergunta o que faço, crio a minha bolha. Partilho a minha angústia. Sem ter de explicar nada a ninguém. Não embaraça nenhuma alma e todos vivem felizes para sempre.
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